Cinema, música, teatro, utilidades e também futilidades públicas. Sem restrições. Vamos discordar? Que bom! Aqui você pode ler, opinar e conversar. Ninguém precisa ter a mesma opinião.
quarta-feira, 14 de maio de 2025
Teatro do Oprimido
quinta-feira, 20 de março de 2025
Flow
Uma das melhores produções indicadas ao Oscar 2025 é, sem sombra de dúvida, a animação ‘Flow’. Acompanhamos a trajetória de um adorável gato preto que se vê lutando pela própria sobrevivência após uma enchente devastadora. Nessa jornada, ele cruza no caminho com aliados importantes e percebe que não precisa ficar sozinho em sua autoindependência.
É bom destacar que no filme não existe fala, apenas sons. E esse diálogo não existente em palavras não faz a menor falta. É muito interessante ver as espécies diferentes se ajudando e tentando entender o que importa para o outro, mesmo com suas diferenças.
Trazendo o conteúdo para a nossa vida real humana, a animação me trouxe reflexões interessantes sobre como as pessoas que passam por nossa trajetória se tornam importantes sem a gente ter uma real explicação para isso. A gente apenas sente e de alguma forma, entre conflitos e parcerias, sabemos quem realmente é importante.
A apresentação mais incrível do filme é sobre família ou quem deveria ser próximo de nós. Seja em pensamentos, posicionamentos ou ideais. Isso fica explícito nos animais de mesma espécie. A mensagem sobre ser da mesma família e não ter ligação é muito bem colocada. Mostra que está tudo bem ser diferente e que família é aquela que a gente constrói vivendo com união, respeito e companheirismo. Precisamos encontrar o nosso lugar, se afastar do que não faz mais sentido e viver as conexões especiais que surgirem no caminho da vida. O filme é gostoso demais de assistir. Adorei.
sábado, 8 de março de 2025
Dia Internacional da Mulher
O Dia Internacional da Mulher é um registro importante e histórico. Marca uma luta social por igualdade e direitos. No passado, a mulher não tinha sequer o direito de votar, mas hoje em dia, em um país extremamente machista que vivemos, ainda existem lutas constantes para serem vencidas. Na questão salarial, por exemplo, as mulheres ainda ganham menos do que os homens exercendo os mesmos cargos profissionais. A importância de ressaltar este dia é lembrar também que precisamos seguir sempre em frente, com otimismo e esperança de que a gente sempre pode evoluir.
quarta-feira, 5 de março de 2025
Anora
Anora (Mikey Madison) é uma dançarina exótica e prostituta que acredita ter achado o seu bilhete premiado para uma vida de conto de fadas quando conhece Ivan (Mark Eydelshteyn), o filho de um ricaço russo que vai de cliente a namorado, e de namorado a marido, em um espaço de poucas semanas. Quando a poderosa família do rapaz fica sabendo do matrimônio, os pais e seus capangas passam a fazer de tudo para separar o casal.

Se tratando do prêmio de melhor atriz, talvez o conteúdo central de A Substância de Demi Moore tenha muito a dizer nesse momento. O assunto é etarismo e o preconceito com as mulheres com mais de 50 anos. Falando nisso, vocês sabiam que a maioria dos votantes do Oscar são homens brancos, heterossexuais e com mais de 60 anos? Será que isso realmente não quer dizer nada nessa vitória de Mikey Madison? Vale a reflexão.

domingo, 10 de novembro de 2019
Hebe - A Estrela do Brasil
Hebe Camargo dispensa apresentações, mas é sempre bom reforçar o que foi essa mulher. Em tempos onde o preconceito era muito mais explícito e a censura política estava no auge, tínhamos uma apresentadora que falava o que bem entendia e ao vivo, enfrentando o que viesse na torcida de uma vida melhor para todos os brasileiros.Andréa Beltrão conseguiu encontrar uma forma tão incrível de interpretação que não deixou a personagem virar uma imitação ou uma caricatura da Hebe. A forma de falar, de se expressar e todo "o jeitinho" da apresentadora ficaram suaves. Dava pra ver a simpatia da apresentadora no corpo e em cada gesto da Andréa Beltrão.
Hebe de fato era um acontecimento para a época por ser mulher e por ser questionadora sem perder o brilho, a vaidade e o bom humor. Trata-se de um recorte do patrimônio do nosso país. A apresentadora entrevistava travestis quando o preconceito era escancarado e teve a audácia de encarar até uma possível prisão. Hebe Camargo era uma mulher corajosa, determinada e que comprava a briga do povo. Lutava por um cenário político melhor sem perder o sorriso e o carisma. Uma mulher feliz mesmo quando estava triste.
Agora eu vou parar de falar um pouquinho sobre a loira e vou ter que emendar a minha opinião política aqui no texto. Não sou grande entendedor e nem estudioso no assunto. Talvez a Hebe também não fosse, mas gosto de dizer o que me incomoda. E as falas unidas ao preconceito do nosso presidente atual me incomodam. A trama se passa lá pelos anos 80, mas se tratando da nossa política de hoje no Brasil, na qual não me sinto representado, é quase que inevitável perceber o quanto uma pessoa como a Hebe faz falta e o quanto essa cinebiografia da vida dela é atemporal. Que bom que esse filme existe como forma de eternizar esse ícone da televisão brasileira que ela foi. Precisamos de mais pessoas assim como Hebe Camargo.
terça-feira, 21 de março de 2017
Logan
Logan (ou Wolverine) já é referência entre as adaptações cinematográficas dos quadrinhos. E o longa dessa vez traz um personagem melancólico, debilitado e com a imortalidade questionada. Ele vive como chofer, cuida do nonagenário Charles Xavier e não faz nenhuma questão de voltar à ativa como X-Men, mas tudo muda quando ele conhece Laura, uma menina literalmente criada para matar.O filme equilibra muito bem o novo e o velho Logan. O passado e o presente do Wolverine se encaixam como uma reverência pra ele mesmo, uma espécie de "palmas para o que eu fiz durante todos esses anos." Sem contar que a ideia de colocar um clone do personagem foi uma sacada de gênio para fazer a gente relembrar os velhos tempos. A produção do filme é ótima, a Marvel realmente não brinca em cena, e dessa vez a produtora resolveu não poupar sangue. Assim que o Logan crava suas garras no primeiro adversário, percebemos que não estamos diante de uma filmagem sombreada pelos efeitos visuais para neutralizar (ou desfocar) a violência das cenas. Essa abordagem abrutalhada traz uma dose de realidade pra vida do personagem, mostrando que dentro daquela carcaça cansada existe um mutante que carrega nas costas tudo aquilo que já fez.
A vulnerabilidade de Logan traz um misto de emoções para os fãs da saga, afinal o Wolverine já não é mais o mesmo, ele pode se machucar e até morrer. E depois de 17 anos, e nove vezes no papel, é bem provável que esta seja a despedida de Hugh Jackman como o nosso querido mutante de adamantium. Por outro lado, a entrada da pequena Dafne Keen como Laura Kinney é o grande presente que ganhamos do filme. Sim, Logan nos deixa uma herança. Uma menina acuada, violenta, uma fera adorável com tanto vigor nas garras que desperta paixão imediata do público (podem apostar!). Talvez a atriz mirim também esteja fadada ao carimbo de um personagem que nunca se desassocia do ator, quem sabe por mais 17 anos de história, ou nove filmes, mas que fique claro que isso não é uma reclamação. É uma torcida.
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017
Estrelas Além do Tempo
O filme se passa em 1961, época em que a sociedade norte-americana vivia (assustadoramente) o auge da intolerância racial. Na trama, conhecemos três mulheres negras inteligentíssimas que trabalham na NASA e são excelentes profissionais. Katherine (Taraji P. Henson), Dorothy (Octavia Spencer) e Mary (Janelle Monáe) são grandes amigas e lutam contra o preconceito e o machismo, tentando ganhar o verdadeiro reconhecimento dentro da empresa. Elas trabalham como computadores humanos, realizando cálculos complexos e essenciais para o sucesso da corrida espacial.
Vale lembrar que trata-se de uma história real, o longa é baseado no livro de Margot Lee Shetterly e roteirizado pela estreante Allison Schroeder e pelo próprio diretor, Theodore Melfi. O filme tem conteúdo de forma sutil, fazendo do diálogo das protagonistas o próprio antídoto para abolir qualquer tipo de preconceito. Cada uma das três luta com um desafio diferente. Katherine tinha que andar um longo trajeto para conseguir ir ao banheiro no trabalho, pois não podia frequentar o mesmo banheiro de mulheres brancas. Dorothy fazia o serviço de uma supervisora e não era reconhecida por tal função. Mary precisou entrar na justiça para poder fazer um curso junto com pessoas brancas. A história traz à tona temas importantíssimos para serem discutidos. É impossível não comprar a briga dessas mulheres e não torcer por elas.
O elenco é excelente, as três merecem igualmente aplausos de pé. Apesar de Katherine ser a personagem principal, todas as três histórias são desenvolvidas de forma interessante. O impacto do preconceito escancarado vai assustar muitos espectadores, mas esta é uma história que precisava ser contada, pois infelizmente faz parte da nossa realidade. E só de lembrar que essa história é real, a admiração que criamos por cada uma delas fica ainda maior. O filme ganha pela simpatia de suas personagens e pela forma como conseguiram transmitir dentro de um cenário racista, cruel e desumano que a única forma de se construir uma sociedade melhor é com respeito e igualdade de oportunidades.
segunda-feira, 22 de agosto de 2016
Olimpíadas Rio 2016
Acho que todos nós em algum momento soltamos um "se tá assim agora, imagina nas olimpíadas" e pensamos que os jogos olímpicos no Rio de Janeiro pudesse ser um fiasco mundial. Mas o importante é que deu certo. Merecemos aplausos, recepcionamos muito bem, surpreendemos positivamente estrangeiros e brasileiros. A gente merecia e precisava dessa injeção de otimismo para acreditar na possibilidade real de um país melhor. Isso vem com uma esperança embutida de que podemos ver uma cidade de fato maravilhosa e um Brasil diferente. Essa energia contagiou o mundo todo e precisa continuar. A chama olímpica pode apagar, mas a nossa não.quinta-feira, 11 de agosto de 2016
Já Estou Com Saudades
Para quem ainda não me conhece, sou o Daniel Romano, o chato que escreve para a coluna de cinema na Folha do Rio de Janeiro. Decidi (hoje) fugir um pouco dos filmes em cartaz nas telonas, já que o "mundo netflix" do cinema em casa tem crescido bastante. Enfim, o meu comentário hoje é sobre o filme Já Estou Com Saudades. Jess (Drew Barrymore) e Milly (Toni Collette) são melhores amigas desde a infância. Enquanto Milly se casou, teve dois filhos e construiu uma carreira de sucesso, Jess decidiu levar uma vida pacata ao lado do marido. Após se submeter a um tratamento, Jess enfim consegue engravidar. Mas a notícia vem justamente quando Milly descobre ter câncer de mama e precisa passar por quimioterapia.
Os filmes de doença e amizade se tornaram um subgênero dentro do drama, fazendo uma 'dramédia' (drama+comédia) para que o assunto não seja abordado de forma muito pesada. E essa fórmula tem dado super certo. Toni Collette e Drew Barrymore trazem o melhor da amizade: a honestidade. O resumo disso é o que a experiência da morte se aproximando pode trazer. Um paciente terminal com câncer também pode cometer seus erros e suas loucuras como qualquer ser humano, e o filme engloba isso com clareza e naturalidade.
Já Estou com Saudades tem seu diferencial nos detalhes, no trato pessoal, ainda que o molde prenda as personagens no "desfecho comum". As amigas estão em momentos opostos de vida. Enquanto uma comemora a gravidez, a outra arranca um seio. O entrosamento entre as duas protagonistas mostra que ninguém precisa ser parecido para ter amizade. São as relações pessoais que elevam a história. O teor incorreto de Milly é o melhor tempero da trama. É o que diminui aquela tristeza adocicada que a gente já conhece em uma dramédia. E é isso que faz o desenrolar do roteiro do filme dar certo. A amizade é abordada em alto nível, com todos os altos e baixos que a vida põe a prova. Você vai chorar, mas vai se divertir também.
domingo, 27 de março de 2016
Deadpool
Wade Wilson (Ryan Reynolds) é diagnosticado com câncer em estado terminal, e encontra uma possibilidade de cura em uma sinistra experiência científica. Recuperado, com poderes mutantes e um incomum senso de humor, ele torna-se Deadpool e busca vingança contra o homem que salvou e ao mesmo tempo destruiu a sua vida. Convenhamos que os filmes de super-heróis estão um tanto desgastados. Então, nada melhor do que um anti-herói para agitar um pouco e dar uma modificada no contexto dos quadrinhos, não é mesmo?
Deadpool solta milhões de piadas por minuto. Você precisa ficar atento para não perder nada, porque o cara é um tagarela. A interação do personagem com o público é o ponto acertado do roteiro. Temos sempre a impressão de que estão lendo os nossos pensamentos em cada sacada em que o maluco simplesmente dá um stop na cena e conversa com o espectador. O filme entrega belas sequências de ação misturadas com um humor obsceno e afiado. O nosso ogro-herói chega com cenas engraçadíssimas, piadas péssimas, tiros para todos os lados, muita violência e nenhuma sanidade. Afinal, não lembro de nenhum super-herói ganhando a vida como assassino de aluguel.
Em suma, Deadpool é um deboche sobre tudo e sobre todos. A simplicidade da apresentação da trama e a desconstrução do bom-mocismo são os grandes trunfos do filme. Tudo vira piada. A irreverência do personagem faz a gente rir com alguém levando tiro na cabeça. Nada é levado a sério. Já pararam para ler a sinopse? O cara foi diagnosticado com câncer terminal, e até para isso fizeram piada. Deadpool, obviamente, não é um filme para qualquer um ou para qualquer gosto. O importante é assistir sem nenhum tipo de amarra e nem aguardar uma definição que faça sentido. Trata-se de uma imensa bobagem, não espere algo mais do que isso. Mas a indústria Marvel, famosa pelos nossos super-heróis, apresentava sinais de cansaço, e essa injeção de humor debochado diante dos filmes da própria franquia trouxe um ar diferente, de novos padrões, com uma narrativa divertidíssima. Eu gostei.Observação importante: nunca esqueça que a Marvel sempre dá um presentinho após os créditos finais. Tenha paciência de deixar todas aquelas letrinhas passarem e divirta-se.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016
O Regresso
O filme conta a saga de sobrevivência de Hugh Glass, personagem de Leonardo DiCaprio, que é o principal navegador de um grupo de caçadores que ganha a vida vendendo peles de animais. Ele é abandonado pela equipe no meio da floresta após ser atacado por um urso. E é aí que surge a parte nua e crua da trama. A filmagem esbanja sangue sem pudores, e um dos temas mais presentes na história é a batalha entre os exploradores contra os índios americanos. É preciso ter estômago forte para conseguir assistir tudo sem fechar os olhos. A cena do ataque do urso é desesperadora e a respiração do personagem do DiCaprio silencia a sala de cinema.
As brigas têm um sentimento muito próximo da realidade de quem assiste. A brutalidade e a ausência de sentimentos também são protagonistas do longa, e não somente os atores. Leonardo DiCaprio está impecável em cena e é uma boa aposta (e merecida) para a estatueta do Oscar de melhor ator. O trabalho filmado apenas com luz natural também foi um ponto positivo para o filme, trazendo ainda mais realidade para as cenas. O Regresso também se destaca na maquiagem. Os ferimentos, as cicatrizes e a sujeira sanguinolenta dos personagens são muito bem feitas. Peca um pouco na continuidade, mas ok. Ninguém vai notar isso.O roteiro é simples, a forma como ele foi conduzido é que tornou tudo espetacular. O problema é que depois de mais de duas horas de filme fica um pouco cansativo, pelo fato de já sabermos como será o fim da história. A questão é que isso não diminui a qualidade do longa. Tive que deixar esse "cansaço" de uma filmagem extensa um pouco de lado para escrever este texto, e o bacana (e até engraçado) é que esse desgaste de muitas horas de filme aparece quando os dois personagens centrais também estão desgastados na trama. Não deve ter sido fácil transformar um roteiro simples em uma história com cenas hipnotizantes. Tecnicamente, trata-se de uma produção muito bem filmada, apesar de ter deixado o filme longo demais. Mas infelizmente foi uma consequência necessária de um trabalho muito bem feito.
domingo, 14 de fevereiro de 2016
A 5ª Onda
Cassie é uma adolescente que luta por sua própria sobrevivência em meio da destruição da humanidade. A 5ª Onda mostra uma invasão alienígena que tem como foco matar os humanos atingindo de quatro formas diferentes: acabando com a energia, gerando catástrofes marítimas, gripe aviária, e, por fim, uma ocupação por terra. E é aí que a trama parece ser interessante, já que os alienígenas podem assumir a forma humana para conseguir o que querem. Os flashes de passado e futuro também nos fazem apostar que a trama vai emplacar. Imaginamos uma Cassie mais madura e menos adolescente. A menina parece estar mais preparada para lutar contra tudo e todos, mas logo em seguida tudo volta ao velho roteiro adolescente bobo, com paixonites comuns, e um diálogo vergonhoso de assistir.
O filme perde o fôlego no decorrer da história. Tem uma cena na qual a garota corre com uma arma na mão e um urso de pelúcia na outra. Achei até bacana a colocação para mostrar uma menina tendo que virar uma mulher diante de uma situação. O problema é que o ursinho vence. A menina continua e não a mulher. Todo o contexto se torna adolescente demais, e acaba parecendo uma cópia do amor proibido de Crepúsculo. Está na moda essa fase da garotada em querer assistir uma humana com um imortal.O roteiro precisava ter mais originalidade para se tornar interessante. A 5ª Onda, infelizmente, também peca nos efeitos visuais. A onda imensa que destrói tudo não é tão interessante quanto parece. E, por fim, fica meio óbvia a intenção do filme virar uma franquia em mais uma trilogia. O ruim é que logo nessa primeira apresentação faltou qualidade. Vai ser muito complicado conquistar fãs para uma possível continuação. Não existe personalidade nem no filme e nem nos personagens. Na atual Hollywood nada se cria, tudo se copia e tudo se recicla para se atingir a um determinado público alvo. Parece que nem se deram ao trabalho de tentar criar algo decente, simplesmente seguiram uma fórmula que parece ser eficiente.
domingo, 17 de janeiro de 2016
Os Oito Odiados
Os Oito Odiados é o oitavo filme de Quentin Tarantino, que conta a história de oito homens e uma mulher. Uma diligência cruza a linda paisagem no meio da neve levando John Ruth (Kurt Russell) e sua prisioneira Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) para Red Rock. No caminho eles dão carona para dois estranhos: o Major Marquis Warren (Samuel L. Jackson), um ex-soldado transformado em caçador de recompensas, e Chris Mannix (Walton Goggins), um renegado do sul que diz ser o novo xerife da cidade. Os quatro passam por uma forte tempestade de gelo, e é no Armazém da Minnie, uma parada de diligência nas montanhas, que eles conseguem se proteger do frio. Lá, no lugar da proprietária, eles encontram mais estranhos: Bob (Demian Bichir), encarregado de cuidar do armazém, Oswaldo Mobray (Tim Roth), o vaqueiro Joe Gage (Michael Madsen), e o General Confederado Sanford Smithers (Bruce Dern).
Sou fã dos filmes de Quentin Tarantino, mas é preciso deixar claro que ele não faz questão de agradar todos os estômagos. O próprio afirma que sua carreira será composta por apenas dez filmes, e sua marca registrada é o sangue jorrando na tela. Talvez este seja o filme mais "escrachado" do diretor, já que o deboche e a morte estão sempre se misturando em cena. Todos conhecemos a fama do Tarantino pelos seus textos com longos diálogos casuais e uma trilha sonora única. Em Os Oito Odiados isso permanece, e não é por acaso que a duração do filme é de quase três horas. A forma de apresentação dos personagens que é diferente. Alguns são de trás pra frente e outros são ao decorrer da trama (impossível dizer mais do que isso sem comprometer a história pra quem ainda não assistiu). O interessante é que nos familiarizamos com eles, e lá quando já estamos em quase uma hora de filme, bingo! Você é fisgado por uma trama pra lá de envolvente.
Não existem boas maneiras. Não existe certo ou errado. Isso faz os fãs do gênero se sentirem à vontade de rir de alguém que apanha toda hora ou de dar boas gargalhadas com pessoas vomitando sangue. A trama é tensa, é agoniante, e todos parecem vilões. Nunca sabemos o próximo passo. Temos a sensação de que todos vão morrer a qualquer momento. O elenco é incrível. Samuel L. Jackson deu vida a um personagem único e aposto em uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante pra Jennifer Jason Leigh. A mulher deu um show. Daisy é uma das melhores criações femininas de Tarantino. É impressionante a sensação de que tudo pode acontecer no filme. Um homem toca 'noite feliz' no piano, uma mulher depena uma galinha para fazer um guisado, e o sangue começa a jorrar com balinhas coloridas caindo no chão. Tudo isso acontece em uma mesma cena, mesmo que pareça impossível de se encaixar ou fazer sentido. Acho que é por aí... Quentin Tarantino não faz questão de fazer sentido, e eu adoro as loucuras sanguinárias desse maluco.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2015
No Coração do Mar
O filme, pra quem não sabe, é inspirado no livro da história de Moby Dick, aquela baleia branca assassina que todo mundo já conhece. Herman Melville é um escritor em crise profissional. Ele precisa emplacar um sucesso de vendas, e não somente por uma questão financeira, mas principalmente pra se auto afirmar como autor. Thomas Nickerson é um amargurado ex-caçador de baleias, e o único tripulante ainda vivo da expedição do navio Essex (feita há mais de trinta anos). Um tem o que o outro precisa. Um homem com uma história de vida interessantíssima pra ser contada e outro querendo contar.
A trama faz os estômagos mais "treinados" embrulharem, mostrando com precisão como se tira o óleo de uma baleia. Vale esclarecer que os baleeiros precisam voltar pra casa com centenas de barris desse óleo para serem bem vistos como profissionais do mar. Como já se imagina, a baleia branca deixa os homens à deriva. Eles vivem em condições desumanas, tendo menos do que o mínimo pra sobreviver. E é aí que a história ganha mais intensidade. Se os homens não têm o que comer e algum tripulante morre, adivinhem o que será feito? Enfim, também preciso falar da experiência em 3d, que não faz muita diferença. O visual é bonito, mas não melhora e nem fica mais interessante em terceira dimensão. Aquele foco em alto-relevo que salta aos nossos olhos com a tecnologia 3d não se destaca tanto.
"No Coração do Mar" traz um roteiro com realidade, mas não muito diferente do que já vimos. O ponto acertado é o passado e o presente sendo apresentados com igualdade. O público consegue acompanhar uma fase sem esquecer da outra. Os personagens estão presentes com a mesma importância nas duas etapas da trama. Não há muita originalidade no filme, parece que estamos assistindo uma mistura de várias obras. Mas temos uma breve reflexão sobre o homem contra a natureza, trazendo um gancho importante pra ser discutido. A primeira cena da baleia caçada, com o último esguicho misturando água e sangue, é um dos pontos altos da história. Apesar de não haver grandes surpresas, ou aquela sensação de ser algo repetido, eu gostei. A tristeza do naufrágio emociona e silencia o espectador. Depois de uma experiência dessa, eu não entraria no mar nem pra tomar banho.
segunda-feira, 9 de novembro de 2015
O Clube
Pablo Larraín apresentou ao público um dos filmes mais
polêmicos dos últimos tempos. O chileno O Clube é praticamente uma afronta à
Igreja Católica. A história se passa em uma casa em uma cidadezinha pequena,
onde um grupo de padres vive em confinamento. Eles são afastados da Igreja por
algum tipo de mau comportamento. Há o padre pedófilo, o
O filme é muito interessante, mas não tem nenhum tipo de
beleza fotográfica. As cenas têm uma filmagem sombria e nos deixa com a
impressão de que aquela paisagem "suja" foi feita de propósito. A
impressão que eu tive foi de que tudo está estragado por conta daqueles seres
humanos horríveis, e a luminosidade ruim amplia o sentimento de repulsa que
temos diante daquelas pessoas. E isso é um ponto positivo, ok? É igual quando
odiamos um vilão. Sinal de um trabalho bem feito. Falando em vilão, vale
ressaltar que não há nenhum rastro de mocinho na trama. Não tentem encontrar
algum personagem para torcer por um final feliz. Não existe felicidade no
roteiro. Não é o Clube do Bolinha. O filme traz uma infelicidade de alma dentro
daqueles personagens com uma carga pesada e profundamente abominável.
O Clube não veio para agradar todos os estômagos, isso
precisa ficar bem claro. Visualmente, o filme é desprovido de qualquer tipo de
sensação agradável. Trata-se de pessoas psicologicamente doentes, e tudo em
volta parece contaminado de alguma forma: a filmagem, os personagens, a cidade,
a fotografia, o público. A sensação que temos é de que tudo ali parece estar
podre. É preciso fazer um trabalho muito bem elaborado para se conseguir chegar
nesse extremo desconforto com a putrefação humana. E Pablo Larraín acertou,
fazendo nascer um filme interessantíssimo do desagradável. O Clube é vencedor
do Urso de Prata no Festival de Berlim deste ano, e veio mesmo para
desconcertar a Igreja Católica e tirar a lama escondida debaixo dos tapetes.terça-feira, 29 de setembro de 2015
Que Horas Ela Volta?
Regina Casé vive a empregada doméstica Val, que trabalha há anos para uma família rica em São Paulo. Ela não vê sua filha há uma década, e ajudou a criar Fabinho, o filho único da patroa. O garoto é a comprovação da tão famosa frase que diz que dinheiro não traz felicidade. O rapaz cresce tendo Val como referência materna e não consegue ter o mesmo laço com a mãe biológica. O preconceito de classes sociais surge com a chegada de Jéssica (Camila Márdila), filha de Val, que sai do Pernambuco para prestar vestibular em São Paulo. A jovem faz uma verdadeira revolução dentro da monotonia do casarão.
“Que Horas Ela Volta?” aborda o cotidiano comum da melhor forma possível. As cenas são filmadas com simplicidade de gestos e mostra a rotina familiar de forma minuciosa. O jogo de cena com a personagem de costas é uma ideia bem interessante. Deixa desde o começo a sensação de que ali não era o lugar dela, que mesmo inconscientemente Val não estava por completo naquela casa e com aquela família. A dondoca Bárbara (Karine Teles) deixa claro o tempo todo que patrão é patrão e empregado é empregado. Fica nítido que a pernambucana arretada nunca foi realmente considerada da família, e a única que não tem essa percepção é a própria Val.
O filme é muito bem encenado na forma de mostrar a rotina doméstica somada ao vazio de pessoas que dividem o mesmo teto e mal se conhecem. Isso vai desde um vaivém de louças até uma preferência de sorvete. Tudo é trabalhado de forma genuína e resgata a simplicidade do afeto, o cuidado com a família, o interesse de saber do que o outro gosta. Fico muito feliz quando vejo um filme nacional dando certo. A trama de Anna Muylaert é um registro importantíssimo, mostrando que somos capazes de ser mais do que o país do futebol. Sabemos contar boas histórias sem prostituição, sem tiro e sem violência. Sabemos apresentar um filme de qualidade internacionalmente e concorrer com igualdade à estatueta do Oscar. Parabéns, Regina Casé, por homenagear com maestria essas tantas milhões de mulheres dignas, guerreiras e batalhadoras. Parabéns por resgatar sentimentos que parecem estar em desuso ou fora de moda. Muito obrigado por nos fazer sentir orgulho do cinema brasileiro.
domingo, 13 de setembro de 2015
Evereste
"Evereste" é baseado em fatos reais e se inspira em dois livros que tratam do mesmo assunto. A trama conta a história da fatalidade que vitimou oito montanhistas durante uma escalada ao topo do Monte Everest. O acontecimento foi considerado por muito tempo como a maior tragédia de "ataque" ao cume. O filme se passa na época de início de toda a questão comercial que envolvia a escalada do Everest como uma rota turística. Os grupos eram formados por um número grande de pessoas, e elas desembolsavam uma fortuna pra participar da atração.
A produção é muito bem elaborada e a fotografia do filme é linda. Podemos perceber em várias cenas uma visão completa de toda aquela imensidão congelada. O roteiro é bem trabalhado e não fica uma coisa monótona ou técnica demais. A gente se envolve com a vida dos personagens, nos colocamos no lugar da família deles. A personagem da Keira Knightley é essencial para o filme, é uma espécie de porto seguro, com café, travesseiros e cama macia.
Vou abrir uma brecha pra fazer uma colocação pessoal. Em muitas vezes eu me perguntava o motivo de alguém se interessar em participar de uma aventura maluca dessa. Um trajeto perigoso, que tem milhões de chances de dar errado, custa um dinheirão, precisa de um treinamento intensivo e tem o clima como vilão durante meses de jornada. Não sou um aventureiro desse naipe e gosto bastante do meu chuveiro quente. Nunca entendi muito bem essa gana toda de viver uma aventura que pudesse custar a própria vida. Por que escalar tudo aquilo, chegar ao cume, e descer tudo de novo? Na minha cabeça parecia bastante esquisita essa "programação de índio".
Mas o filme te transporta pra realidade daquelas pessoas, porque eu não preciso gostar de aventuras perigosas pra entender a emoção de alguém que gosta. A cena da japonesa me emocionou bastante, e não quero contar mais do que isso pra não estragar a surpresa. "Evereste" não traz um bando de gente perdida em uma montanha congelada comendo carne humana. Esqueça isso. Todos ali sabem o que estão fazendo e não estão perdidos em lugar algum. Eles querem estar ali e querem enfrentar aquela situação. É uma escolha e não um acaso. É um dos melhores trabalhos em equipe que já pude ver. É um estilo de vida. Uma cumplicidade que dá orgulho de assistir. Eles querem quebrar barreiras. Querem vencer um recorde pessoal, que só está dentro da cabeça de cada um daqueles aventureiros. O filme é fantástico, é sufocante, é angustiante, é perfeito. Tecnicamente brilhante e com um elenco incrível. Um dos melhores filmes que vi esse ano.
domingo, 30 de agosto de 2015
Sobrenatural - A Origem
Em Sobrenatural: A Origem, de Leigh Whannell, o conteúdo não
é muito diferente do que já vimos antes. A atmosfera é a mesma e os desfechos
também. A origem sobrenatural antecede a história da família Lambert e nos
deparamos com a médium Elise (Lin Shaye), que já vimos morrer, vivinha da
Silva. A trama conta a vida da adolescente Quinn (Stefanie Scott), com atuações
medianas. A garota sente falta da mãe, falecida há pouco tempo, e é assombrada
por uma entidade maligna, assustadora e feia pra caramba. Nenhuma novidade é
relevante, então acredito que a sinopse de abertura dispensa minuciosas
apresentações.
O grande acerto desse terceiro filme está nos detalhes dos
sustos que levamos. Somos pegos totalmente desprevenidos, em cenas que não
imaginávamos levar susto. Na primeira cena do acidente de carro eu quase pulei
da cadeira do cinema. Não posso contar mais do que isso pra não estragar a
surpresa de quem ainda não assistiu. A questão é que esses sustos repentinos
não são considerados como ponto positivo pra se qualificar uma trama em um
patamar de "bom filme", já que fazer levar susto não significa mérito
algum. Sabe aquela sensação quando esquecemos o som no volume máximo antes de
ligar alguma coisa? É exatamente essa a experiência, porém, de certa forma, funciona.
Só acho preocupante, porque isso está virando hábito nos filmes de terror. Será
que aprimorar a forma de dar susto no público é a melhor forma de acertar?
Minha resposta é "não", mas essa é somente a minha opinião.
A trilha sonora é muito boa, mas alguns exageros acabam
deixando a trama um pouco cômica e isso não é bacana. A Elise lutando e fazendo
caras e bocas pra empurrar uma entidade demoníaca fogem um pouco do terror e
beiram a comédia. As salpicadas de humor são válidas e importantes, mas precisam
ter um ponto certo, sem dispersar demais a atenção. Essa origem de Sobrenatural
não é ruim, o problema é que dificilmente encontramos um perfeito exemplar de
terror. Quero muito sentir novamente a adrenalina que senti na franquia de
Jogos Mortais. Não gosto de fazer comparações, mas quando a gente acostuma com
algo bom, precisa vir algo melhor ainda pra superar as nossas expectativas.
Infelizmente não é o caso.quinta-feira, 6 de agosto de 2015
Divertida Mente
Posso dizer que Divertida Mente veio sem querer. A Pixar vinha com outro projeto, mas o presidente do estúdio aprimorou as ideias e mudou praticamente tudo. Percebemos essa mudança logo no início da história, com uma apresentação de um casal de vulcões cantando. Uma ótima pedida pra chamar atenção da criançada. No filme, a nossa mascote é a Riley. A trama conta todos os sentimentos que se passam na cabeça da menina e os personagens são exatamente as emoções que ela vive: Alegria, Tristeza, Medo, Nojo e Raiva.
O conteúdo do filme foi cuidadosamente trabalhado. Criaram um mundo paralelo para explicar os sentimentos de forma lúdica. Parece que estamos dentro de um parque infantil. As emoções têm cores e formas que chamam atenção, mesmo que as crianças mais novinhas não entendam a mensagem embutida que a trama traz. Os personagens são extraordinariamente agradáveis e é impossível não se apaixonar pela animação.
A balança trabalhada entre alegria e tristeza talvez seja o melhor ensinamento do filme (e dessa vez estou falando com os adultos). A importância dos outros sentimentos, além da alegria, é colocada de forma emocionante e impecável. É a chave do sucesso da história, já que poucas animações conseguem ensinar sem somente entreter. A Pixar é mestre em transmitir lições de vida no ponto certo. A aventura se desenrola perfeitamente e é impressionante como um mesmo filme pode atingir os extremos na faixa etária. Percebi isso dentro da sala de cinema com crianças e adultos rindo e se emocionando com cenas diferentes.
É um passeio divertido, um filme psicologicamente inteligente e que vai mexer com a cabeça de qualquer um. Uma obra fantástica, que trabalha com o conceito de entretenimento de forma genial. Alegria, Tristeza, Medo, Nojo e Raiva vão te conquistar e com certeza não vão sair tão cedo do seu cérebro. Divirta-se!








